625 retratos do feirar em Viseu, pela mão de dois grandes fotógrafos

Feira de São Mateus

Iniciativa visa assinalar uma edição da Feira de São Mateus que se tornará histórica

 

“1, 2, diga ‘Feira de São Mateus!’ Pode bem ser este o mote do projeto “Gente da nossa terra – retratos do feirar” que coloca dois grandes fotógrafos portugueses no recinto da Feira, a partir de hoje, para produzirem 625 retratos, o exato número de anos da feira franca de Viseu.

A iniciativa resulta de um convite lançado pela Viseu Marca a dois grandes nomes da fotografia, de diferentes gerações e com linguagens distintas. São eles António Homem Cardoso e John Gallo, ambos ligados à região de Viseu.

O projeto será um marco histórico na edição 625 da Feira de São Mateus e procura criar um memorial humano desta edição do certame, que se tornará histórica. Do digital, os 625 retratos serão no próximo ano objeto de exposição e publicação em livro.

Os fotógrafos estarão no recinto da Feira a partir das 15 horas deste sábado, 9 de Setembro, convidando visitantes e feirantes a fazer o seu retrato.

As fotografias irão retratar simultaneamente as pessoas e a própria Feira, na sua diversidade de lugares e enquadramentos. Todos os interessados em participar desta moldura fotográfica do certame poderão voluntariar-se para o efeito, bastando falar aos fotógrafos, no terreno.

A escolha da fotografia como recurso para esta iniciativa resulta também da vontade de proporcionar um reencontro da Feira com uma velha tecnologia que faz parte da história do evento e que tem ajudado a reconstituir a sua memória e identidade.

 

 

BIO dos fotógrafos

 

António Homem Cardoso

Nasceu em S. Pedro do Sul, em 1945. Dez anos depois ruma a Lisboa onde tem o primeiro contacto com a fotógrafa pela mão do ator Americano Eddie Constantine aos 14 anos, quando é figurante do filme Edie em Lisboa e conquista, nessa data, a sua primeira câmara fotográfica, uma Voigtlander Vito B com telémetro Medis acoplado, generosidade do ator na sua despedida de Portugal.

Seguem-se alguns anos de fotografia “vadia” entre bares e casas de fado e a publicação dos primeiros trabalhos na imprensa (cenas de rua ), nomeadamente no Diário de Notícias e Diário  Popular.

Por volta dos 17 anos monta o seu primeiro laboratório na Quinta de S. Vicente onde fica como fotógrafo residente, e aonde conhece diversas personalidades com quem estabelece relações de amizade para toda a vida.

Integrado no Exército em 1966, concluiu aí o curso de operador de fotografa e cinema com altas classificações, e cumpre todo o serviço militar (até 1969) nesta especialidade.

Em 1968 conhece Mestre Augusto Cabrita – a pessoa que mais amou na vida aparte a sua família mais chegada – que influencia extraordinariamente a sua carreira e o convida para a realização em co-autoria de diversos trabalhos, entre os quais o livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, atualmente com mais de seiscentos mil exemplares vendidos e traduzido para diversas línguas.

Ao serviço da revista “Observador” realizou grandes reportagens em África.

No início dos anos setenta monta o seu estúdio da Lapa, em Lisboa, onde começa uma atividade vertiginosa de fotógrafo de publicidade, de moda e de editorial.

A partir de 1974 com a restauração da democracia, e até a atualidade, participa como autor de retratos em muitas das campanhas políticas feitas em Portugal.

Em 1980 começa uma parceria com o Arq. Hélder Carita de defesa e mostra do património cultural português com a publicação de diversos livros entre os quais o “Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal”, referenciado como livro de arte excecional pela revista francesa Vogue.

 

John Gallo

John Gallo nasceu em Leiria em 1969. Em 2002 concluiu uma Pós-Graduação em Gestão da Distribuição Automóvel, na Universidade Nova de Lisboa. Foi nesse ano que fundou o seu estúdio de fotografa e atelier de design de comunicação na cidade do Porto. John, que já fotografava desde meados dos anos 90, decidiu que a fotografia comercial era o caminho; o sucesso que obteve marcou quase uma década do sector na cidade do Porto.

Depois deste projeto – e sobretudo desde que se mudou para o Reino Unido, John tem dedicado mais tempo à realização de foto ensaios, fundamentalmente ligados a questões relevantes do ponto de vista socioeconómico.

John tem sido comissionado para trabalhar em parceria com empresas públicas, privadas, museus e organismos oficiais – a sua assinatura enquanto autor é única: imagens excecionalmente gráficas, trabalhadas até ao limite do frame, conjugando os elementos com mestria, transmitindo mensagens fortíssimas.

John tem produzido seminários e workshops de qualidade extraordinária, aclamados quer no Reino Unido, quer em Portugal, muitos em parceria com marcas de renome.

John é regularmente convidado para participar em palestras, conferências e workshops sobre fotografia e sobre temas da atualidade, especialmente sobre questões ligadas ao ambiente.

John Gallo é fotógrafo sócio-documental e é mentor do Movimento Floresta Negra, no âmbito do qual se encontra a realizar o documentário “Inferno”. Em 2015, o jornal The Guardian (UK) e a Royal Photographic Society (UK) distinguiram o seu trabalho atribuindo-lhe o Joan Wakelin Award. Foi diretor e curador do Fujifilm Festival Internacional de Fotografia de Viseu.

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